Amo e odeio a minha inconstância. As vezes acho que preciso de uma paixão avassaladora, mas na verdade minha ânsia é por uma xícara de café e um bloco de anotações com uma caneta. Queria sentir menos, demonstrar menos, mas tenho alma de poeta. Porém não sei até que ponto isso é bom. Acho que minha imaginação ainda me enlouquecerá, então, para não morrer, ou me sentir morta, eu escrevo. Não foi algo que eu escolhi, as vezes invejo a ignorância alheia, mas confesso que me divirto. Acho incrível e assustador como escrita se encaixa em todos os momentos da minha vida. Se estou feliz, escrevo. Se estou triste, escrevo. Se não quero escrever, escrevo e invento. Quem me dera viver em minhas obras, adoraria amar como nos meus poemas e desfrutar das minhas utopias. Mas, enquanto isso não acontece, me contento com uma xícara de café e um bloco de notas com caneta. E para os casos mais drásticos uma boa taça de vinho barato e um heterônimo bastam.
Procuro e curo minhas falhas
Ou invento um vento que me leve pra longe
Porém gosto do efeito feito pelos meus defeitos
Sigo em frente, enfrento o novo
Mas os nós que se formaram em nós não desatam
É sólida a solidão
Das minhas manhãs cheias de manhas
Fugindo do encanto
Fico no meu canto
Súbito desencanto
E enquanto fumo meus cigarros
Cigarras cantam à morte
Adoro o seu cheiro que fica no meu casaco depois que te encontro, melhor que isso só a sensação de liberdade que me proporciona. És meu quando está comigo e do mundo quando quando não está. Engraçado como lido com isso, logo eu, que sou tao possessiva. Mas sei que tu és como um pássaro e não adianta o prender, pois seu canto não será tao belo quanto o da liberdade. Gosto do turbilhão de sensações e ao mesmo tempo ausência de sentimentos. Sentimentos esses que só serviriam para nos rotular e isso é a ultima coisa que precisamos. Dois polos, dois extremos tão parecidos, duas crianças crescidas. A vontade de cuidar e a necessidade de liberdade. O desapego e a confiança. Sua boca me embriaga mais que os vinhos baratos que bebo para fugir da minha monótona realidade. Seu toque me desmancha como as cinzas dos cigarros que fumo, buscando dissipar minhas ideias como a fumaça que exala dos meus pulmões.
Sabe, até que eu gosto de ti, marginal.
Sabe, até que eu gosto de ti, marginal.
Agora tem nos cabelos fogo e nos olhos fúria e desejo, nos pés coturnos e na cabeça uma fila de projetos que só incluem ela mesma. Ela anda sabendo exatamente onde quer chegar, sendo inspirada pela Natasha e a Erva Venenosa da Rita Lee. Ontem passou em casa, mas amanha passará pelos braços de quem ela quiser, sem um pingo de carinho. Sem expectativas, sem decepção. Quando tudo estava de mau a pior, ela percebeu que sonhos só servem se forem realizados, senão devem ser esquecidos, pois enquanto se sonha a vida passa lá fora, na mais cruel realidade. Com sangue nos lábios, apenas o seu bem triunfará na guerra contra o mundo.
Poderia navegar pelos 7 mares
Mas prefiro ficar
E nos meus seios te afogares
Posso no oceanos velejar
Pra depois poder
Na minha boca te afogar
Como onda na arrebentação
Me desmancho ao te ver
És a minha maior tentação
Quero que faça como as ondas nas pedra
Para que naufrague
Lambendo minhas pernas
Como as marés
Sobes e desce
Me beijando da cabeça aos pés
Só quero você, acredite
É das espumas do teu mar
Que quero virar Afrodite
Prozac, diazepan e limbitrol
Falsa felicidade em comprimido
Frutos de uma sociedade
Onde o amor é oprimido
Seja entre duas pessoas ou mais
O que gera casamentos ou o habitual
Mesmo que a sociedade não queira que você acredite
O amor é a coisa mais natural
O hétero, homo, bi
O amor não precisa de definição
Ninguém pode dar significado
Nem ao menos Sócrates ou Platão
Tanto preconceito cansa
Aí, pontes, armas e até um desabamento
Tudo parece uma fenda de esperança
Para o fim do um sofrimento
Julgam, reclamam, oprimem
Mas existem coisas que só tem ida
E não adiantarão as lágrimas tardias
No fim o que resta são corpos e bilhetes de despedidas
Quem somos nós pra julgar algo?
Ah, faça-me o favor
O Marcelo já se perguntava
''Quem é maior que o amor?''
Nota: No dia 25/6/14 duas jovens se jogaram de mãos dadas da Ponte da Amizade, fronteira do Brasil com o Paraguai, carta indica que elas tinham um relacionamento amoroso.
No dia 27/9/02 dois corpos são encontrados nus e abraçados nos escombros de um edifício que desabou 2 dias antes. Os corpos pertenciam a um professor e uma bancária que viviam um amor proibido e mesmo avisados previamente do possível desmoronamento, permaneceram juntos, revelando para todos que o amor deles resistiria à morte. O caso virou uma música do Marcelo Camelo, intitulada Conversa de Botas Batidas.
Decisões, nunca fui boa com elas, mas existem momentos que são estritamente necessárias. O maior problema das decisões é a incerteza, incerteza do futuro e principalmente se essa decisão gerará um futuro.
Ninguém toma decisões por querer, elas sempre são imposta à nós, tão abruptamente que quando se percebe já estamos presas à elas e não temos como fugir sem machucar alguém. Medos, inovação, desespero, esperança, perdas, ganhos, mudanças, sinônimos e antônimos, talvez a vida seja apenas isso. A verdade é que morremos de medo do futuro, principalmente quando nós escolhemos nosso futuro, fazemos isso todos os dias, mas nem sempre tão escancaradamente. Distancia, a melhor coisa quando não se sabe o que escolher, lutar contra ou a favor das incertezas eu acredito que não seja algo inteligente a se fazer, elas sempre encontram uma forma de nos afogar. As vezes a incerteza predomina e se torna maior que a vontade de arriscar. Como escolher o que quero da vida se não sei nem escolher um sorvete?
Ninguém toma decisões por querer, elas sempre são imposta à nós, tão abruptamente que quando se percebe já estamos presas à elas e não temos como fugir sem machucar alguém. Medos, inovação, desespero, esperança, perdas, ganhos, mudanças, sinônimos e antônimos, talvez a vida seja apenas isso. A verdade é que morremos de medo do futuro, principalmente quando nós escolhemos nosso futuro, fazemos isso todos os dias, mas nem sempre tão escancaradamente. Distancia, a melhor coisa quando não se sabe o que escolher, lutar contra ou a favor das incertezas eu acredito que não seja algo inteligente a se fazer, elas sempre encontram uma forma de nos afogar. As vezes a incerteza predomina e se torna maior que a vontade de arriscar. Como escolher o que quero da vida se não sei nem escolher um sorvete?
A chuva batia na janela quando acordei, minha cabeça ainda doía depois
daquela noite regada a álcool. Ela estava do meu lado, envolta apenas num lençol
branco de seda, que dava um contraste irresistível com a sua pele alva. Pelo
chão, garrafas de Whisky, cartas de baralho e peças de roupa.Tudo estava
exatamente igual à última vez que estive aqui. Seu guarda roupa inutilmente
grande, seu pôster do Raimundos, que sempre foi sua banda favorita, sua cama de
solteiro que mal cabíamos nós dois e em cima do criado mudo o meu cigarro, que
assim como a nosso desejo parece nunca se apagar. O mesmo quarto de pensão num
bairro periférico que eu jurei nunca mais visitar.
Levantei-me sem que ela percebesse, recolhi minha calça, que há esse
instante já estava na outra extremidade do quarto. Preparei seu café com leite,
coloquei açúcar invés de adoçante apenas para irrita-la, passei geleia no seu
pão e deixei tudo pronto na mesa, um banquete dos deuses comparado ao que ela
estava acostumada. Coloquei minha jaqueta de couro, meus coturnos e dei uma
ajeitada no cabelo, já é hora de partir. Ao segurar na maçaneta ouço aquela voz
rouca:
-Quando você volta? - Disse ela sem nem abrir os olhos
Olhei-a, mas não me atrevi a falar, ela já sabia qual a resposta. Cruzei a porta e jurei,
novamente, a mim mesmo que nunca mais voltaria. Mas ainda assim foi mais forte do que eu, não consegui evitar. Inexplicavelmente existe algo que me leva inconscientemente para o mesmo lugar, sem esforço algum. Tomado como uma folha ao vento sem a oportunidade de resposta ou reação, acabo me encontrando assim, a cada nova sensação de volta em seus braços. Entre seus cabelos, olhares e pernas, unificamos nosso suor para pintar um quadro colorido de incríveis desejos na nossa vida preta e branca. E por mais que eu tente desistir dela, isso vai muito além de desejo, vai além de mim mesmo. Ninfas...
Tem homem que sabe ser homem,
Trata de politica, poema e amor.
Ele é tão descaradamente cafajeste
Que chega ser tentador.
Sua real beleza está na inteligência,
Dilacerantemente brutal.
Ele é tão descaradamente cafajeste,
Mas delicadamente sentimental.
Oh, meu historiador,
Apaixonei-me por teus textos de loucura tão realista.
Ele é tão descaradamente cafajeste ,
Que deixa de perna bamba até a mais radical feminista.
Ele e seus romances,
Alguns dignos das melhores novelas.
Ele é tão descaradamente cafajeste,
Que apaixonou mais uma, sinto muito por ela.
Ele sempre sabe o que falar,
Mas, por favor filha, não game.
Ele é tão descaradamente cafajeste,
Não será só seu, não se engane.
É um verdadeiro amante das mulheres,
Transformando-as em deusas celtas.
Ele é tão descaradamente cafajeste,
Irmão, historiador, MC, o melhor poeta.
Engraçado como os homens estavam me olhando naquela manhã de verão, talvez meu ritual de ontem a noite tenha tido um efeito imediato. Apesar do calor, eu estava com meus trajes típicos, minha camisa do SOAD, meus short jeans, minha meia calça detonada e meu coturno que já percorreu muitos solos sagrados. Minha mãe sempre condenou meu hábito de usar roupas, se dependesse dela, eu viveria eternamente nua, cobrindo meu corpo apenas com meus longos cabelos platinados, ela esquece que não vivemos mais nos bosques como ninfas. Sim, sou neta de Zeus. Minha mãe foi condenada a viver no ''mundo real'' após não querer se entregar à Hércules como presente por ter cumprido os trabalho, imortalidade não bastava? Sou fruto de uma relação entre uma ninfa e um bruxo alcoólatra que nem sabe que eu existo. Queria dissipar meus pensamentos com a fumaça do cigarro, procurei meu isqueiro na bolsa, mas de repente ele surge na minha frente, acompanhada de uma mão extremamente alva com uma tatuagem indecifrável.
-Você deixou cair do bolso
Demorei um tempo para levantar a cabeça
- Talvez meu short já tenha furos demais
-Quando eles são no bolso não é uma boa ideia- Disse, dando um sorriso que fazia seus olhos sumirem
-Obrigada.- Eu não conseguia parar de olhar aquele rosto olimpiano, que ironia, não?!
-Vamos Ville, adianta. Ela é gatinha, mas estamos atrasados.-Só então percebi que ele estava com amigos.
-Por nada. Disse enquanto ia ao encontro dos amigos
-Tchau
Foi tudo o que eu consegui falar enquanto via aquele anjo sem asas indo embora. Sua pela era tão macia, seus olhos pareciam duas bolas negras e sua boca era de uma cor indecifrável, marrom-vermelha. Seu cheiro era dos campos onde nasci, deveriam emanar daqueles cabelos negros e longos, nossos fios formariam um perfeito yng yang. E foi aí que eu acordei.








